terça-feira, 19 de novembro de 2013

A Revolta Conformista

A situação intelectual atual do Brasil, e não só do Brasil, mas de toda a Cultura Ocidental, é o que eu chamaria de “Revolta Conformista”. É uma cultura onde ser revoltado, “crítico”, “diferente”, se tornou um pensamento de massa, ou seja, não é mais uma revolta, mas uma servidão. A “crítica” nunca vai de encontro a si mesma, é simplesmente o ataque contra os mesmos grupos, a pregação das mesmas idéias e os brados repetitivos do rebanho de “intelectuais”.

Esses que se acreditam livres, diferentes e de mente aberta não poderiam ser mais iguais, mais crentes do próprio valor de suas idéias e mais conformados às crenças atuais. Não basta ser igual, é necessário provar aos seus iguais o quanto ele é ainda mais incisivo em sua revolta. É preciso denunciar o nosso passado, dizer o quanto nossos antepassados foram maus, o quanto tudo sempre esteve errado, reforçando o grupo e sendo reforçado pelo mesmo. Esses, que “pensam diferente”, ou seja, que acreditam em suas próprias cabeças que são uma minoria, tem a força necessária para calar os que discordam, fazer protestos em escalas gigantescas, fechar universidades, obrigar por lei a doutrinação de suas idéias nas escolas...

Essa é a grande Revolta Conformista, onde toda a nossa produção intelectual se resume na denúncia, na perseguição, na crítica e no protesto, ou seja, nada que advém de uma energia criativa, apenas destrutiva ou impositiva. Onde lutam contra um regime atual imaginário sem perceberem que o regime atual são eles mesmos. Há uma inversão muito grande na cabeça dessas pessoas se acreditam que podem bradar, agredir e ameaçar sendo uma “minoria pensante”, ao passo que as idéias que dizem pertencer a uma maioria hegemônica sequer existem ou são sussurradas com medo, pois essa maioria hegemônica, na verdade, é somente o pretexto sem o qual finalmente eles teriam que encarar o fato de que sua existência não tem razão de ser.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Auxílio Reclusão

Há um ponto no auxílio reclusão que é mal compreendido por seus próprios críticos. Primeiramente não basta ser bandido para conseguir o mesmo, é necessário, além de ser um criminoso, ter contribuído com o INSS até o momento do crime e ganhar quantia igual ou menor a R$971,78 (ou algo próximo a isso, conforme determinado pelo governo federal). Isso não torna o benefício menos injusto, uma vez que é direcionado ao agressor, e não à vítima. Se um bandido mata um pai de família honesto a família desse bandido está segurada pelo governo brasileiro, ao passo que a família cujos membros são honestos não tem direito a nem um centavo. Ou seja, o agressor da sociedade é portador de mais direitos do que aquele que contribui com a mesma.

Isso parte da crença atual de nossas ciências sociais que não enxerga o indivíduo como sendo de fato um indivíduo, mas mero produto de seu meio social. Se uma pessoa não acredita na maldade inerente de determinada pessoa, e nem no livre arbítrio da mesma em realizar suas ações, então como responsabilizar essa pessoa pelos seus atos? A única explicação é que ele é fruto de seu meio social, ou uma “vítima da sociedade”.

Enquanto essa visão limitada do ser humano permanecer seremos vítimas das mais atrozes engenharias sociais que teriam em seu intuito “melhorar” o ser humano em busca de uma sociedade perfeita, mas tudo que conseguem é recompensar o vício e punir a virtude, afinal se o mau é a “vítima”, o bom passa a ser o agressor, e a solução seria criar algum tipo de lei que beneficie o mau em prejuízo do bom, tudo financiado com impostos dessas mesmas pessoas que estão sendo prejudicadas, pois estas são também as únicas pessoas produtivas. E eu temo que isso seja apenas o começo, a era da virtude individual se foi, esta dos sociólogos, demagogos e militantes se sucedeu, e a glória de nossa civilização se apagará para sempre.

domingo, 17 de novembro de 2013

A Família e o Modelo de Educação Infantil Atual

Iniciarei o texto com esta citação que exemplifica bem o que eu penso com relação à família como sendo parte do comportamento natural humano, maior que mero valor social transitório.
Sob a loucura global do emaranhado de rituais e costumes, vemos recorrerem padrões na estrutura da família, amizade, política, cortesia, moralidade. Acredito que o desenho evolutivo dos seres humanos explica esses padrões: por que pessoas em todas as culturas se preocupam com status social (frequentemente mais do que imaginam); porque pessoas em todas as culturas não apenas fofocam, mas fofocam sobre os mesmos tipos de coisas; porque pessoas em todas as culturas homens e mulheres parecem diferentes em algumas poucas questões básicas; porque pessoas em todos os lugares sentem culpa, e a sentem em circunstâncias bem previsíveis; por que pessoas em todos os lugares tem um profundo senso de justiça, de forma que os axiomas ‘uma boa ação merece outra’ e ‘olho por olho, dente por dente’ moldam a vida humana em todos os lugares nesse planeta. De certa forma, não é surpresa que a redescoberta da natureza humana tem demorado tanto. (WRIGHT, 1994. p. 5)
Pretendo examinar a situação atual da família nuclear e seu papel na educação em um Estado cada vez mais presente na educação infantil. Sob o ambíguo título de modernização, ou de conceitos como “novo modelo familiar” esconde-se uma destruição dos laços afetivos dentro da família, cada vez menos presente na vida dessas crianças, relegadas à funcionários estatais que, apesar de terem um importante papel para o desenvolvimento cognitivo das mesmas, pouco podem fazer para suprir as carências afetivas desses alunos, pois este mesmo funcionário nunca irá se sentir ligado aos mesmos da forma que somente alguém próximo ao nível familiar poderia se sentir.

Nem é esse seu papel, como profissional tem uma obrigação técnica a cumprir, não pode ser forçado a desenvolver laços afetivos em troca de um salário. Esse aluno, desamparado emocionalmente, irá se tornar mais facilmente agressivo, menos interessado e menos capaz de se dedicar do que se recebesse o apoio emocional que precisa. Acredito que a família nuclear é a família natural que jamais poderá ser substituída pelo Estado, e nem deve, pois cada família deve ser responsável pelos seus próprios rebentos, ao mesmo tempo que oferecer aos mesmos a atenção insubstituível de seus pais.

A diminuição do papel da família na educação das crianças anda de mãos dadas com o aumento gradativo do Estado como novo educador sob os aspectos cognitivos e afetivos. Alunos da Educação Infantil se tornam excessivamente apegados aos funcionários da escola que não tem condições de retribuir esse afeto. Isso parte da crença de que o ser humano não tem necessidades inatas, está acima do campo natural, e que tudo em sua vida pode ser substituído por estruturas sociais.

Podemos observar conseqüências negativas no desenvolvimento cognitivo de crianças que não seguem o modelo familiar tradicional durante a continuidade dos seus estudos. O aluno que não se desenvolveu de maneira adequada nas séries iniciais continuará a ser um problema nas séries seguintes, e sua estrutura familiar influencia nesse aspecto na medida que se afasta do modelo tradicional.

Até aonde é vantajosa a substituição do papel da família por instituições de ensino no aspecto afetivo, uma vez que laços emocionais não podem ser fabricados artificialmente? Antes de ser social, o ser humano é um ser natural, com necessidades afetivas que somente podem ser supridas dentro de um modelo atávico de educação familiar.

Diversas culturas detém diferentes formas de se realizar casamentos ou de se constituir uma família, mas nenhuma jamais abandonou a proximidade entre os pais e as crianças como a nossa tem feito, gerando um modelo social onde se tenta educar pessoas como se fossem completamente moldadas pelo meio, negligenciando os aspectos emocionais que não deveriam ser negligenciados.

Não devemos abraçar mudanças sociais como se essas mudanças fossem boas em si mesmas. Antes da escola ser um agente de mudança social, é um agente de manutenção da sociedade através da transmissão de nossos conhecimentos. Porém há coisas que não podem ser transmitidas de maneira direta e racional, é necessária a experiência em conjunto com nossa estrutura psicológica inata para que se tenha os melhores resultados.

O discurso pedagógico contemporâneo é entusiasta com relação a um papel cada vez maior do Estado na educação, partem de um pressuposto behaviorista de que o homem é somente um fruto de seu meio e que podemos criar o ser humano que quisermos através de projetos de engenharia social. Há um excessivo otimismo com relação à mudanças sociais, como se as mesmas fossem boas só pelo fato de serem mudanças sem levarem em consideração que o ser humano afetado por essas mudanças é sempre o mesmo no que tange às suas necessidades emocionais mais básicas.

O texto abaixo exemplifica o que eu estou dizendo:
 A política educacional recente, de caráter neoliberal, está cobrando a participação dos pais na gestão da escola pública e no dever de casa, tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil. Tal política tem implicações de classe e gênero: quando a escola conta com a família, pressupõe um modelo de família com capital econômico e simbólico e com uma mãe disponível e prioritariamente dedicada à educação dos filhos. Os formuladores dessas políticas não consideram a relação entre modelos de organização curricular e instrucional e organização familiar, nem a assimetria de gênero que faz recair a responsabilidade pela educação infantil sobre as mulheres, tampouco as mudanças e variações na organização familiar. Ao desviar o foco da melhoria educacional da escola e da sala de aula para a família e o lar, este tipo de política pode produzir dois efeitos perversos: penalizar as famílias (sobretudo as mães) e converter diferenças de capital econômico, cultural e social em resultados educacionais desiguais. (Maria Eulina Pessoa de Carvalho, 2000)
Considerar a participação da família como política neo-liberal é um exagero, termos como política neo-liberal, ou então políticas conservadoras, podem ser utilizados como forma de desbancar o apoio à família, aplicando ao mesmo uma carga política que de fato não existe a associando a grupos estigmatizados pelo discurso intelectual, como “fundamentalistas religiosos” e assim por diante. No entanto o texto aborda uma questão real, a sobrecarga da mulher no papel de educar as crianças dentro de uma família que se tornou insuportável pela obrigação da mesma de se dedicar ao trabalho.

As mulheres assumiram um novo papel social, de provedoras, se equiparando aos homens com relação ao mercado de trabalho. No entanto não perdeu seu antigo papel de mãe, o que faz muitas até desistirem de ter uma família para poderem se dedicar completamente a uma carreira profissional. O caminho não deveria ser buscar uma participação ainda menor da mãe na educação de seus próprios filhos, mas sim buscar uma participação maior da mesma e do pai na educação da criança.

Mas as mulheres, para sanar o problema de terem que trabalhar durante o dia inteiro e não poderem dar atenção a seus filhos, a não ser durante a noite quando estão exaustas demais para fazerem qualquer coisa, cada vez mais se tem recorrido à instituições de ensino que de fato estão substituindo a família em diversos aspectos. Exemplos são as creches em horário integral, feitas sob medida para mães que trabalham, pois as mesmas tem prioridade sobre as vagas e a função é bem clara, permanecer com as crianças enquanto estas estão ocupadas.

Essas crianças permanecem na escola das 6:30h às 17:00h, desde os 4 meses de vida, quando termina a licença maternidade de suas mães. Algumas mães procuram as creches ainda antes, com bebês de 2 meses, algo que felizmente não é permitido pela lei. Nesses centros de educação infantil as crianças são alimentadas, tomam banho e obedecem a regras e horários comuns. Fala-se muito em educação individualizada, mas a mesma se torna impossível em grandes grupos de crianças, onde os métodos de ensino devem ser necessariamente coletivos, como as canções que indicam o que irão fazer a seguir, seguindo todas em fila, já condicionadas pelo hábito. Se substituirmos a escola por um quartel, e as canções por apitos, não se diferenciaria em nada de um modelo militar de condicionamento disciplinar.

Acontece, de certa forma, uma economia de mães, ou seja, uma mulher cuida de várias crianças ao mesmo tempo de maneira que as mães das mesmas possam atender as exigências do mercado de trabalho. Os filhos, nesse contexto, se tornam um obstáculo à realização profissional, que deve ser colocada em primeiro lugar. A sociedade produz mais, porém grande parte desses recursos deve ser revertida em impostos para o sustento de instituições de ensino que irão cuidar dessas crianças, e no final desse processo as mulheres continuam atuando como mães, porém não de seus filhos, e sim de uma clientela anônima, com a qual irá se envolver superficialmente e no ano seguinte provavelmente não será mais a professora dos mesmos.

Deve ser reconhecido o papel benéfico para o aumento do conhecimento da criança na pré-escola, de fato crianças que passam pela pré-escola chegam à primeira série e posteriormente com maior experiência sobre outros alunos, o que lhes dá alguma vantagem. Ainda assim seu resultado é condicionado por suas condições familiares, porém facilmente chegar que seu sucesso ou fracasso está muito diretamente relacionado ao fato de sua estrutura familiar seguir ou não um modelo tradicional.

Na escola essas crianças serão atendidas por uma funcionária do governo, alguma mulher escolhida a esmo, baseado no seu nível de graduação, o que não é evidência de condições psicológicas para desempenhar essa função. Essa mulher verá seu aluno como um cliente a ser atendido, um trabalho a ser realizado. No entanto a criança não a verá da mesma maneira, terá apego emocional por essa professora, e irá chamá-la de mãe, irá chorar quando for buscada por sua mãe biológica, a considerando uma estranha. A mãe, após recolher esse alunos na escola, irá chegar em casa exausta, fazer algumas tarefas domésticas, ligar a televisão e esperar pelo próximo dia de trabalho. Pelo fato das crianças tomarem banho na escola e café da manhã, muitas mães abrem mão desses cuidados em suas casas também, fazendo da escola o centro emocional da vida infantil em quase todos os sentidos.

Funcionários do sexo masculino podem ser a única referência paterna que essas crianças terão, pois a maioria dessas mães de bairros carentes estão divorciadas ou jamais se casaram. Não raro algumas crianças se referem aos mesmos os chamando de “pai”, como faziam com suas professoras. No entanto, mesmo quando aprendem que estes não são seus pais de fato continuam os chamando dessa forma, ainda que as professores as desencorajem a tal, fazendo dos mesmos uma figura substitutiva do afeto paterno na medida do possível.

De fato a família mudou, pois é conveniente que dessa forma seja numa sociedade que tira dos ombros dos pais cada vez mais a obrigação de cuidarem de seus próprios filhos. Mas as necessidades emocionais das crianças não mudaram. O ser humano não é completamente um reflexo do meio em que vive, esse é um paradigma sociológico tratado como atual e inovador, porém parte da crença errônea de que podemos moldar o ser humano da forma que melhor desejamos, que o mesmo sempre irá responder ao meio. Se assim fosse essas crianças não teriam o apego que têm por suas professoras, elas tem necessidades emocionais que precisam ser respondidas e nenhum modelo social que não envolva a família natural poderá atender a essa necessidade. Da mesma maneira que nenhuma educação de qualidade pode dispensar a influência dos pais, que exatamente por serem pais tem o maior interesse no pleno desenvolvimento dessas crianças, ou deveriam ter.

A palavra natural carrega grande peso, e sua utilização foi proposital. Conforme é comum nas ciências sociais, tudo o que há na sociedade é considerado somente contexto histórico, ou seja, algo que muda com o tempo. No entanto a existência da família é algo observado em todas as épocas e em todas as culturas. A maneira como a mesma se forma varia em detalhes, porém é necessário que a mesma se forme pelo simples fato de que do contrário uma sociedade não poderá continuar existindo.

Nesse contexto o termo natural está correto por ser um fato que irá se repetir sempre para a existência da criança, como uma lei natural, ou seja, a união de um homem e uma mulher para dar continuidade à sua família, e pelo fato óbvio das implicações biológicas que há nessa questão. É muito comum associarem o modelo familiar como pertencente somente a um recorte temporal e geográfico, mas isso é se fixar nos detalhes e não atentar para um padrão maior que se repete no mundo durante toda a história humana, como assevera o cientista cognitivo Steven Pinker (1998, p. 432).
Famílias são importantes em todas as sociedades, e seu núcleo é uma mãe e seus filhos biológicos. Todas as sociedades tem casamentos. Um homem e uma mulher entram em uma aliança de conhecimento público cujo principal objetivo são as crianças; o homem tem um "direito" a acesso sexual exclusivo para a mulher; e ambos são obrigados a investir em suas crianças. Os detalhes variam, frequentemente de acordo com os padrões das relações de sangue na sociedade. Geralmente, quando os homens estão confiantes que eles são os pais dos filhos de sua esposa, famílias nucleares se formam, frequentemente perto da família do pai. Num número menor de sociedades, onde os homens não estão tão confiantes (por exemplo, quando ficam distantes durante longos períodos de tempo devido ao serviço militar ou trabalho nas fazendas), famílias vivem perto dos parentes da mãe, e os principais benfeitores homens dessas crianças são os próximos à família da mãe, seus tios maternais.
Com o crescente número de divórcios, e a desestruturação de muitas famílias, tem sido pregado uma certa validade das relações familiares não baseadas em laços de sangue. Isso é verdadeiro em muitos casos, mas ainda assim dados pesquisados não deixam mentir que esse modelo não é o ideal (Silva, Vieira 2001. p. 6):
O convívio de filhos de pais diferentes em decorrência de múltiplos casamentos também pode ocasionar conflitos e agressões, em especial por parte de padrastos ou madrastas, na direção de seus enteados. Mas também ocorrem maus tratos entre irmãos e meio-irmãos, muitas vezes, sob o olhar cúmplice dos adultos. 
Os psicólogos Martins Daly e Margo Wilson (1994, p. 72) também tem palavra esclarecedoras sobre o tema:
As caracterizações negativas de pais adotivos não é de forma alguma peculiar à nossa cultura. O folclorista que consulta a massiva coleção de Stith Thompson irá encontrar muitas sinopses como "Madrasta Má Ordena que a Filha Adotiva seja Morta" (mito irlandês), e "Madrasta Má faz Filha Adotiva Trabalhar até a Morte Quando seu Marido Mercador Estava Fora" (Índia). Por conveniência, Thompson dividiu contos sobre pais adotivos em duas categorias: "padrastos cruéis" e "padrastos luxuriosos". De esquimós até indonésios, através de dúzias de contos, o padrasto é sempre um vilão.
Esse é o padrão das histórias como Cinderela. Conforme o pensamento ortodoxo das ciências sociais atuais, a cultura forma o homem de maneira quase unilateral. Ou seja, ao chegar nesse ponto o pesquisador logo irá dizer que o fato de padrastos serem violentos é devido justamente à essas histórias, e não que essas histórias passaram a existir devido a esses padrastos existirem anteriormente. E que esse é um fenômeno biológico, ou seja, a ausência de reconhecimento daquela criança como sendo sua, antes de um fenômeno social que pode ser sanado com campanhas na televisão e outros métodos que partem do paradigma do homem como modelado pelo meio, sem uma individualidade que não pode ser alterada através da educação ou propagandas.

A recorrência de histórias no estilo de Cinderela certamente é um reflexo de modelos sociais que podiam se encontrados ao redor das pessoas. Ao longo da história humana, mesmo nas sociedades onde o modelo tradicional de família foi seguido de maneira mais rígida, havia casos em que um dos cônjuges falecia e o outro se casava novamente. Esses casos eram mais raros, e o legado deixado pela literatura demonstra que não eram situações muito felizes para as crianças que tiveram que passar por isso.

Atualmente, com o grande apoio dado pelo Estado para a criação das crianças, e a constante propaganda feita por intelectuais progressistas, há uma tentativa de desconstruir a família enquanto instituição social, o que é impossível pelo já referido caráter natural da mesma. Tenta-se normalizar uma educação dada exclusivamente pelo Estado, e o discurso é feito de forma a de fato jogar a obrigação para o governo e exigir isso em tom de revolta, como se lutassem por uma causa nobre. Ao mesmo tempo revestem de caridade suprema o ato de adotar ou assumir filhos não biológicos, como se qualquer pessoa pudesse desenvolver laços afetivos por uma criança que não é de fato sua. Pinker nos relata sobre a condição psicológica que muitas vezes padrastos e madrastas se encontram.
Nos dias atuais não é educado falar sobre amor paterno como tendo algo a ver com sua relação biológica porque soa como uma ofensa aos muitos pais com filhos adotivos e enteados. Claro que os casais amam seus filhos adotivos, se eles não estivessem realmente comprometidos a simular a experiência de uma família natural eles não adotariam, para começar. Mas com padrastos e madrastas é diferente. O padrasto ou madrasta desejava um esposo, não uma criança; a criança vem como um custo que faz parte do acordo.
Esse fenômeno está além de valores sociais, pois antes da sociedade formar o ser humano, o ser humano formou a sociedade, e o fez baseado em seus anseios naturais. Toda instituição nasce de uma necessidade psicológica humana, e portanto o ser humano é anterior à cultura. Ele forma a cultura e é formado pela mesma, porém a mesma não é indefinidamente aleatória, não pode estar em direção oposta às necessidades humanas sem consequências negativas na formação do caráter do indivíduo.

Ou seja, ainda que pregássemos o padrasto como modelo ideal de pai, e isso fosse incutido na mídia, ainda assim não diminuiria a necessidade psicológica do homem de saber se aquela criança é de fato sua. Da mesma forma a mulher não se sente à vontade em se dedicar a uma criança sem parentesco consigo mesma. No entanto, por motivos óbvios, quase sempre será o homem nessa situação, uma vez que o divórcio é o principal motivo da existência de padrastos e são as mães que tem prioridade sobre a guarda dos filhos.

Com a crescente desvalorização do casamento, e com a visão de que a maternidade é de alguma forma opressora à mulher que deseja ter uma vida profissional, o papel da escola tem se expandido. Não mais a mesma deve se dedicar exclusivamente ao ensino dos conteúdos curriculares, mas adquire cada vez mais atribuições de ordem afetiva e disciplinar.

Falar em papéis sexuais no âmbito da família se tornou um tabu intelectual, como nos relata o psicólogo evolutivo Robert Wright (1994, p. 69-70):
Em parte, também, porque, apesar das feministas não terem criado o problema sozinhas, muitas delas tem ajudado a sustentá-lo. Até muito recentemente, medo da represália feminista era o principal obstáculo da discussão das diferenças entre os sexos. Feministas tem escrito artigos e livros denunciando o "determinismo biológico" sem se preocuparem em entender biologia ou determinismo.
A única alternativa com relação à família é criar nossas crianças dentro de instituições educacionais, onde serão privadas dos laços afetivos naturais, tendência que se torna cada vez mais forte e é bem vinda pelos pais que se sentem menos responsáveis pelos seus filhos e não se questionam com relação à qualidade das condições emocionais em que essas crianças são criadas. Porém essa não é uma tendência geral, muitas famílias ainda seguem um modelo mais tradicional, e o desempenho superior dessas crianças deve ser levado em consideração ao se criarem políticas públicas para a educação, pois a mesma não deve se concentrar na escola, necessita do apoio da família que se encontra cada vez mais fragilizada pela sobrecarga dos pais no trabalho e outras exigências sociais.

Fontes:

CARVALHO, Maria Eulina Pessoa de. Relações entre Família e Escola e suas Implicações de Gênero, Paraíba, ano 2000, Cadernos de Pesquisa, nº 110, p. 143-155, julho/ 2000. Pode ser encontrado em:
http://www.scielo.br/pdf/%0D/cp/n110/n110a06.pdf

PINKER, Steven. How The Mind Works. London. Ed. Penguin Books, 1998.

SILVA, Arcelina Maria da. VIEIRA, Luiza Jane Eyre de Souza. Caracterização de crianças e adolescentes atendidos por maus tratos em um hospital de emergência no município de Fortaleza-CE. Rev Esc Enf USP, v. 35, n.1, p. 4-10, mar, 2001. Pode ser encontrado em:

DALY, Martins, WILSON, Margo. Evolutionary psychology of male violence. Ed. In J. Archer, Male violence. London: Routledge. 1994.

TAGGART, Brenda. SYLVA, Kathy. MELHUISH, Edward. SAMMONS, Pam; SIRAJ-BLATCHFORD, Iram. The power of pre-school: evidence from the Eppe Project. Pode ser encontrado em:
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0100-15742011000100005&script=sci_arttext&tlng=es

WRIGHT, Robert. The Moral Animal: Why We Are the Way We Are: The New Science of Evolutionary Psychology. London. Ed. Vintage, 1995.

MENEZES-FILHO, Naercio. Os Determinantes do Desempenho Escolar do Brasil. Ed. Abril, São Paulo. 2007.

DESSEN, Maria Auxiliadora e POLONIA, Ana da Costa. A família e a escola como contextos de desenvolvimento humano. Paidéia (Ribeirão Preto) v.17 n.36 Ribeirão Preto jan./abr. 2007. Pode ser encontrado em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-863X2007000100003&lng=pt&nrm=iso

Cotas Raciais

Há uma incoerência muito grande na idéia de cota racial que vai justamente de encontro ao que os movimentos igualitaristas dizem acreditar. Primeiramente dizem desejar acabar com a pobreza através desse método, porém somente negros são pobres? Ninguém se oporia a uma cota social, no entanto fizeram questão que a mesma fosse racial, apesar dessas mesmas pessoas serem as primeiras a dizer que raças não existem.

Por isso sozinho já seria algo absurdo, mas outras idéias entram no mesmo contexto. Por exemplo, o conceito de dívida histórica que os brancos teriam com os negros, mas afinal quais brancos, os brancos do mundo inteiro? Os brancos que escravizaram os negros foram os portugueses que são em grande medida os pardos de hoje e se beneficiam das mesmas cotas, provavelmente havendo muitos descendentes de senhores de escravos sendo beneficiados pela punição dos crimes que eles mesmos cometeram.

Imigrantes que vieram depois do fim da escravidão, ou seja, que nunca foram donos de nenhum escravo sequer, mas trabalharam da mesma forma que os mesmos nas mesmas lavouras e constituem hoje o grosso da população branca, são punidos por um crime que nunca cometeram. Nem mesmo os portugueses inventaram a escravidão, a mesma era realizada entre brancos no Império Romano e entre os negros nos reinos e impérios africanos, tanto que os portugueses compraram os escravos que vieram para o Brasil, não os capturaram à força nas florestas como o imaginário popular acredita. Os portugueses ao longo dos séculos se misturaram aos negros e índios e hoje constituem a população majoritariamente parda que colhe os mesmos benefícios que os negros os quais escravizaram. 

Quando ouvia falar em cotas raciais na minha adolescência a impressão que eu tinha é que negros eram proibidos de alguma forma de entrar na faculdade, que vivíamos em algum tipo de apartheid, só para eu descobrir que eles tem exatamente o mesmo acesso bastando apenas competir pela vaga através do próprio esforço, como fazem os brancos. No entanto não protestam em participar dessa competição vergonhosa que humilha os brancos por existir em seu país uma lei que os rebaixa, e humilha os negros ao gerar desconfiança sobre a inteligência dos mesmos. Nenhum tipo de orgulho pode advir disso.

Outro resultado negativo é separar a população em raças, nosso povo já havia se esquecido quase completamente as diferenças de ordem racial, até que no início do governo Lula tornou-se obrigatório aos pais declararem a cor de seus filhos no momento da matrícula escolar. Imagino o quanto não deveria e deve ser constranger para pais e funcionários ter entrar nesse tipo de questão delicada em um momento que deveria ser tão corriqueiro.

O resultado de tais políticas não pode ser positivo, tem despertado sentimentos raciais que há muito havíamos nos esquecido, o que irá culminar na divisão da sociedade em grupos opostos. No entanto eu temo que esse era o objetivo desde o princípio. É um exemplo claro dos defeitos de uma democracia, onde o populismo passa a ser a receita do sucesso. Em uma população de maioria negra dar privilégios legais aos mesmos é o caminho mais curto da manutenção do poder, mantendo ainda a indecência de dizerem que lutam pela igualdade.

Conservadorismo no Brasil

É comum ver o conservadorismo como o representante do poder vigente, porém a representatividade do mesmo politicamente no Brasil é perto de nula, assim como seu apoio intelectual. Encontramos traços de um pensamento conservador na população em geral, ainda guiada em grande medida pelos seus valores tradicionais, porém essa população frequentemente irá escolher o pragmatismo de programas sociais vendo os promotores dos mesmos como os representantes de seus interesses, ainda que esses interesses sejam apenas imediatos e não seja calculado o prejuízo moral que tal dependência irá criar em nossa população.

Outra dificuldade em definir um pensamento conservador brasileiro é nossa ausência de identidade, afinal o que é ser brasileiro? Devemos valorizar tudo o que produzimos sem se importar com a qualidade cultural desse produto? Nosso país imitou muitos valores culturais de outros povos, essa imitação não foi feita apenas por nós, pois esses valores eram úteis, bons em si mesmos para a melhoria das demais civilizações. O que nós criamos que pode ser utilizado com proveito por outros povos?

Essa capacidade de criar algo capaz de encantar outras culturas e fazer até mesmo parte da cultura dos mesmos eu chamaria de alta cultura, algo tão bom que resiste à toda crítica. Quem é capaz de criticar a música clássica, o cristianismo ou a tecnologia européia e norte americana de maneira contundente, ou seja, rebaixando essas coisas ao ridículo? A crítica contra esses elementos culturais é sempre feita inspirada no ressentimento, do ponto de vista do inferior que sente inveja do superior, nunca o contrário.

A produção cultural no Brasil nesse sentido é perto de nula, o que defendemos em nossas músicas é tão ridículo que nos causa constrangimento de ouvirmos em família, nosso cinema é bem feito, mas sua competência está em justamente demonstrar a baixeza de nosso povo. Exceto o caricato Capitão Nascimento, nunca produzimos um herói nacional sequer. Quando nossas elites intelectuais falam em preservar a cultura nacional falam em valorizar o funk, o carnaval, o samba, como se essas coisas fossem dignas de serem valorizadas somente pelo fato de serem brasileiras, sem levar em consideração que essas mesmas coisas dizem muito pouco aos brasileiros no sentido da constituição de uma cultura com valores sublimes e dignos de orgulho.

Produzimos em quantidade, mas não em qualidade e nem criatividade, eu mal consigo diferenciar um artista nacional de outro, é sempre o mesmo ritmo e as mesmas notas musicais em quase todas as músicas, sendo até mesmo o timbre de voz de um artista a imitação de outro. Temos uma literatura respeitável, mas esta ficou no passado, não temos mais escritores literários com potencial de se tornarem clássicos, ou seja, são mera produção cultural de consumo sem angariar o respeito desses mesmos consumidores.

Por esses motivos eu considerei que o conservadorismo no Brasil é uma causa perdida, nos acostumamos demais a amar o ridículo e a baixeza, mas talvez exatamente por isso é que se torna tão mais necessário a criação de valores superiores capaz de nos trazer a vergonha sobre comportamentos vis e aspirar a ser algo mais. Mas amar nosso país não deve ser admirar nossos erros, da mesma forma que amar um filho não é defendê-lo quando este está errado, mas sim corrigí-lo fazendo com que o mesmo possa demonstrar o que tem de melhor.

sábado, 16 de novembro de 2013

Liberdade

A remoção de barreiras sociais é sempre vista como um avanço em direção à liberdade, porém não raro isso leva à destruição das estruturas que nos permitem a escolha das coisas que são realmente importantes para nós. Há dois grandes grupos de defensores da liberdade tanto na esquerda quanto na direita política.

A esquerda não abre mão de um Estado forte e onipresente, e também acredita que esse Estado é um fornecedor de direitos que darão maior liberdade de escolha a um indivíduo. O indivíduo deve ser livre em relação à sua sexualidade, sua identidade de gênero, a família não deve ter uma forma definida e códigos morais devem ser relativos, enxergando os padrões tradicionais como um símbolo do que deve ser “desconstruído”.

A obtenção dessa liberdade está diretamente ligada à noção de igualdade, por isso não consideram que altos impostos e ações afirmativas através de cotas não diminuem a liberdade, mas sim aumentam essa liberdade por permitirem a indivíduos, através do auxílio estatal, atingir certos patamares na sociedade que através de seu próprio esforço seriam incapazes. Essas políticas são ostensivamente anti-tradicionais no sentido que encontram exatamente no tradicionalismo o principal combustível de suas críticas constantes, visto por estes como um empecilho à sociedade perfeita que pretendem criar.

Frequentemente a esquerda dirá que defende a pluralidade, no entanto seu discurso é único, pregando o relativismo de valores, onde qualquer afirmação positiva é taxada como preconceituosa e deve ser reprimida. Isso gera o estranho fenômeno onde os defensores da diversidade reagem em uníssono aos mesmos estímulos e repetem sempre as mesmas idéias no mundo inteiro onde se encontram. 

A direita liberal equaliza liberdade à liberdade econômica. Utilizando argumentos econômicos são a favor da abertura das fronteiras, da destruição da idéia de nação ou qualquer outra forma de identidade grupal e da redução do Estado ao mínimo possível, transformando o mesmo em mera força policial que irá garantir o direito à propriedade privada e o livre comércio.

Frequentemente os liberais de direita se encontram em grupos semelhantes aos conservadores, pois existem em pequena quantidade, como estes, aos quais se aliam por uma questão numérica, e também por não serem contra a organização tradicional dos povos, desde que esta não afete o bom fluxo das relações comerciais, tanto que conservadorismo e capitalismo são frequentemente associados. No entanto suas políticas a médio prazo iriam destruir qualquer tradição, uma vez que a consequência lógica de seu raciocínio seria transformar o mundo inteiro em um grande mercado.

As preocupações de um conservador são mais de ordem moral e estética, ou com a arte do bem viver em uma sociedade estável que dá um propósito à vida de seus habitantes do que problemas econômicos. Uma sociedade baseada na economia sem dúvida traz prosperidade, o que irá melhorar as condições de vida de seus cidadãos, mas não deve ser o propósito final da existência humana. Tampouco isso deve ser pretexto para políticas socialistas, que corrompem a população através do assistencialismo e substitui uma elite que produz por uma elite de burocratas que vivem do parasitismo “bem intencionado”.

A liberdade sem valores bem definidos, sem um propósito a ser alcançado na vida, sem ter qualquer objetivo existencial a não ser o trabalho e a obtenção de dinheiro, é uma palavra vazia. A liberdade é importante na medida que nos permite amar as pessoas próximas a nós, como nossa família, no entanto os defensores da idéia atua de liberdade tem criado leis que cada vez tem dificultado alcançarmos isso, com nossas crianças sendo entregues à educação estatal desde a mais tenra idade, as longas horas de trabalho que nos forçam a passarmos a maior parte de nossas vidas perto de pessoas que nada representam para nós, ou representam até coisas negativas, a família vista como mero contrato transitório e formal, além de nosso entretenimento realizado em grande medida de maneira solitária em nossos computadores e outros aparelhos eletrônicos.

A liberdade não é fugir de nossos valores tradicionais, mas sim justificá-la através dos mesmos, tendo no comportamento de nossos ancestrais a razão de ser da mesma. A sabedoria perene desses valores é registrada nos milênios em que sustentaram nossa civilização. Isso não deve se configurar em adoração fetichista ao passado, mas o progresso em sua acepção atual quase sempre é um sinônimo de desintegração social quando é não justificável pela tradição ou uma consequência lógica da mesma, se declarando, na realidade, ostensiva antítese desta.

Igualdade

Essa é a principal bandeira de todos os movimentos não conservadores, e sob a qual angariam o maior número de admiradores pelo princípio de justiça social, onde todas as pessoas devem ser tratadas de maneira igual e não serem discriminadas. Conservadores não acreditam em tratar as pessoas de maneira igual pelo simples fato das pessoas serem diferentes, e por terem que demonstrar através de seus atos ou por quem são o tratamento que merecem.

As pessoas são diferentes em suas naturezas, pois as pessoas não nascem iguais e nem se desenvolvem e maneira igual, mesmo que sob a mesma educação. As pessoas também são diferentes no que acreditam, na maneira como agem, em suas capacidades e nos sentimentos que despertam em nós. Isso parece moralmente questionável, mas basta lembrar que, caso tenhamos vindo de um lar funcional, iremos preferir um membro de nossa família a um amigo, um amigo a um estranho, um estranho produtivo a um parasita, e assim por diante. A verdadeira injustiça está em negar os méritos pessoais em favor de um igualitarismo que é falso em relação aos nossos próprios sentimentos naturais.

Para causar maior descontentamento social é criada a idéia de que há grupos que são beneficiados pela sociedade. Ainda que nossas leis sejam isonômicas, ou até mesmo direcionadas a dar privilégios a determinados grupos que não são considerados parte da elite pelos movimentos sociais, como as cotas raciais, a sociedade é vista como dando vantagens especiais para homens em relação às mulheres e para brancos em relação aos negros, gerando desconfiança entre esses grupos, assim como o cisma social que torna os partidos políticos promotores dessa ideologia representantes dessas “minorias” oprimidas, que na verdade são de longe a maior parte da população e fonte inesgotável de votos.

Para provar essa desigualdade utilizam estatísticas parciais, com fins puramente políticos. Por exemplo, tentam provar que profissionais mulheres ganham menos que profissionais homens, porém sem levar em consideração que muitos profissionais homens tendem a trabalhar uma quantidade de horas muito maior que profissionais mulheres em profissões liberais. Até hoje não vi nenhuma empresa, pública ou privada, que pague salários diferentes a funcionários que ocupem o mesmo cargo e trabalhem a mesma quantidade de horas.

Outro exemplo de estatística distorcida é quando dizem que com o mesmo grau de estudo mulheres ganham menos que os homens, porém mulheres quase sempre irão escolher cursos que as transformarão em professoras ou então outros cursos de ciências humanas, sem nenhum aplicabilidade prática no mundo, evitando cursos que exigem um conhecimento mais técnico, como engenharia ou medicina. Nesse mesmo modelo são apresentados muitos dados de forma extremamente parcial, e que ainda assim é capaz de enganar a muitos.

Outro exemplo é com relação aos negros, é mostrado que negros são vítimas de homicídio em escala muito maior do que brancos, porém não levam em consideração que a população negra é muito maior, que os homicidas também são em sua maioria absoluta outros negros e que brancos, quando matam, também tendem a ter como vítimas outros brancos. Com o mesmo raciocínio poderíamos provar que homens são mais vítimas de violência do que mulheres, uma vez que para cada mulher assassinada morrem dez homens, porém nesse caso eles já fazem outra interpretação da situação, onde demonstram que quem perpetra o homicídio de mulheres são os homens, caso em que eu concordo, homens não deveriam atacar mulheres e caso o façam devem ser severamente punidos.

O discurso da busca pela igualdade é quase sempre falso e tem como único objetivo jogar um grupo contra outro com objetivos eleitoreiros, colocando o homem branco como a raiz de todo o mal, grupo esse que convenientemente representa a menor parte da população e não pode se defender em um sistema de voto majoritário. Com isso não quero dizer que conservadores devam buscar a desigualdade social, mas sim a união entre os membros dos mais variados grupos que compartilham de uma visão tradicional da sociedade, sem enxergar em preferências pessoais crimes de discriminação contra a igualdade, mas expressões naturais do espírito humano que não podem ser suprimidas através da repressão ideológica estatal.