sábado, 16 de novembro de 2013

História e Tradição

Conservadores acreditam que a história é a expressão da tradição de um povo, e que por isso o passado é importante por dar a base no qual esse povo cria sua identidade, tendo reverência por seus antepassados. Nesse ponto fazem oposição à visão progressista, que vê a história como o progresso de uma sociedade imperfeita para a criação de uma sociedade perfeita, um projeto utópico a ser alcançado no futuro.

Progressistas julgam os antepassados como moralmente inferiores, por isso irão se referir às pessoas que seguem princípios tradicionais como “retrógradas”, resultado de sua crença no progresso. Como, na visão desses, a sociedade está sempre avançando em direção a uma sociedade ideal, vêem como parte de seu dever moral acelerar esse processo, sendo obcecados por “mudanças sociais”, vistas sempre como algo positivo, ainda que seus resultados tragam apenas mais problemas do que soluções.

Conservadores acreditam que uma sociedade não está em constante evolução, mas se eleva e decai conforme guarda ou não suas tradições e valores, por isso são cuidadosos com relação à mudanças sociais, uma vez que as mesmas podem abalar as estruturas sociais de maneira inesperada, além de ser difícil a criação de um identidade sobre um alicerce que não é sólido, mas está sob constante mutação. Em suas tentativas de criar um “novo homem” diversos regimes causaram grande número de mortes e destruição somente para depois redescobrirem em suas tradições sua paz e identidade.

Não raro essa volta aos valores tradicionais, da mesma maneira que ocorrem em nações, também ocorrem em indivíduos, e não pessoas que advogam coisas como a legalização das drogas, mudança dos padrões de beleza, educação que busca feminizar meninos ou masculinizar meninas não querem isso para suas próprias famílias. Irão buscar constituir um lar tradicional e verão princípios morais consagrados pela tradição como o melhor caminho a seguir.

O apego às tradições de um povo é um processo natural e saudável no desenvolvimento das nações, porém no Brasil há alguns fatores que dificultam esse processo, afinal, qual é a nossa tradição? Qual é a nossa etnia? O que é ser brasileiro? Em muitos aspectos somos filhos da Europa, e eu discordo de conservadores que tentam cortar os laços com o antigo continente, pois nossa história é muito curta e nossa produção cultural pouco significativa para que continuemos de pé através de nosso próprio esforço apenas.

O processo de criação de nossa identidade ainda é dificultado por nossa história de escravidão, onde os negros e pardos, que são a maior parte de nossa população, tem dificuldade em se enxergar como parte da continuidade da Civilização Ocidental, buscando muitas vezes inspiração na África como maneira de afirmar sua identidade. Nem sempre a Europa foi um continente relativamente homogêneo, e creio que poucos povos perderam ao se unirem ao cristianismo crescente, da mesma maneira creio que os negros tem pouco a ganhar ao se apegarem à idéias tribalistas e raciais de um continente que tem tão pouco a oferecer como o africano.

Essa ausência de identidade do povo brasileiro se reflete em nossa cultura, que não se inspira em valores elevados, capaz de despertar sentimentos sublimes, mas sim na vulgaridade cômica e no ridículo. Um povo sem auto-estima pode produzir somente obras auto-depreciativas, reflexo de seu estado de espírito. O niilismo cultural irá se refletir no niilismo dos valores, como as músicas de funk, parte do gosto majoritário dos nossos jovens, que defendem a violência, o consumo de drogas e comportamentos sexuais animalescos.

Sem ter ao que se agarrar nosso povo tem sido levado pelas ondas de populismo, progressismo e relativismo que prometem uma salvação utópica ao nosso povo, fazendo de nosso país o “país do futuro”, porém um futuro que nunca alcançamos.

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