sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Natureza Humana, Educação e Livre-Arbítrio

Conservadores acreditam que há uma natureza humana, e que essa natureza não pode ser moldada pela sociedade a seu bel prazer. Podemos ressaltar as qualidades de um indivíduo e diminuir suas falhas através da educação, porém há pessoas que são boas e pessoas que são simplesmente más. Essa visão tem sido desafiada pela mentalidade moderna que vê o indivíduo como resultado do meio em que vive e da educação que recebe apenas, sem levar em consideração características intrínsecas do indivíduo e a capacidade do mesmo de realizar suas próprias escolhas através do livre-arbítrio.

Essa concepção acarreta uma série de problemas morais, até porque esse é o objetivo da mesma. Afinal, se o indivíduo é mero resultado da sociedade, como responsabilizá-lo pelos seus atos? Suas ações deixam de ser suas e passam a ser o resultado da “sociedade”, transfigurada nesse contexto em um ente abstrato que hora faz o papel de demônio, por ser a causa de todo o mal, e hora faz o papel de Cristo, por absorver a culpa de todos.

A esse fenômeno eu chamo de “socialização da culpa”, esse é um conceito ao qual retornarei em outros textos, que se trata basicamente de culpar a sociedade, ou um determinado grupo de pessoas, pelas ações de indivíduos isolados. Através dessa fórmula criam um mecanismo de crítica social eterna, cada vez que alguém comete um erro nunca é culpa do indivíduo e suas escolhas morais errôneas, mas sim da sociedade, e esta para ser melhor deve ser mudada, não importando se as mudanças sugeridas irão de fato ter qualquer impacto positivo, pois a mudança em si é vista como algo positivo, ou então parte de uma agenda maior na qual os “males sociais” denunciados são apenas um pretexto.

Além da socialização da culpa outro fenômeno é o relativismo moral, que pretende igualar todas as ações como sendo moralmente neutras, dependentes apenas da interpretação dos interessados na questão. Relativistas também tem a crença de que não existe uma natureza humana, somos tábulas rasas, e que tudo que um indivíduo faz está associado à sua educação ou seu meio social.

O relativismo moral é filho do relativismo cultural, que prega que por haver diferentes valores morais em diferentes culturas, nenhum valor moral é verdadeiro. No entanto nos estudos antropológicos das mais diversas culturas foi observado por autores como Steven Pinker e Robert Wright que há muito mais padrões do que diferenças, em todas as culturas há casamentos, leis contra furtos, assassinatos, e que muitos antropólogos, em razão de suas crenças políticas, se apegaram apenas aos aspectos bizarros das culturas que estudaram, sendo muitos desses aspectos desmentidos em estudos posteriores. Sociedades tidas como exemplos de liberdade sexual, quando foram estudadas mais de perto facilmente foi observado coisas abomináveis para a mentalidade liberal e relativista, como a valorização da castidade feminina, a fúria do cônjuge traído, ritos de casamento e outras características tão humanas, mas ao mesmo tempo tão ininteligíveis a esses estudiosos do comportamento.

Um dos principais pontos aos quais os relativistas se apegam é em sua crença de que não há diferenças psicológicas entre homens e mulheres, e que as diferenças biológicas dos dois sexos são negligenciáveis. Dessa maneira homens e mulheres não seriam diferentes devido à sua natureza, mas sim a terem sidos educados dessa forma. Quando tentam explicar o motivo dos papéis sociais de homens e mulheres se repetirem nas mais diversas culturas irão se apegar à mesma explicação anterior, e a diferença entre os sexos será vista como opressão masculina que teria durante milênios, através de todo o planeta, criado valores sociais que faziam as mulheres se comportarem como o que conhecemos por mulheres. Mesmo hoje em dia, onde muitas de nossas crianças não são educadas por suas famílias diretamente, mas por creches de horário integral através de uma educação estatal padronizada, a diferença no comportamento entre os sexos é ainda justificada como produção de uma educação “machista”, por mais improvável que isso seja.

Tanto o relativismo moral quanto o determinismo social negam a individualidade do indivíduo, ou seja, suas características únicas que não podem ser moldadas através de leis, regras sociais e idéias que lhe são repetidas constantemente. Também negam seu livre-arbítrio, sua capacidade de livre escolha, e por conseguinte a responsabilidade sobre seus atos. Certamente os resultados de tais crenças não pode ser positivo, pois em um momento um indivíduo não se sente responsável por suas ações, e em outro é incapaz de julgar se as mesmas são moralmente aceitáveis ou não.

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