A remoção de barreiras sociais é sempre vista como um avanço em direção à liberdade, porém não raro isso leva à destruição das estruturas que nos permitem a escolha das coisas que são realmente importantes para nós. Há dois grandes grupos de defensores da liberdade tanto na esquerda quanto na direita política.
A esquerda não abre mão de um Estado forte e onipresente, e também acredita que esse Estado é um fornecedor de direitos que darão maior liberdade de escolha a um indivíduo. O indivíduo deve ser livre em relação à sua sexualidade, sua identidade de gênero, a família não deve ter uma forma definida e códigos morais devem ser relativos, enxergando os padrões tradicionais como um símbolo do que deve ser “desconstruído”.
A obtenção dessa liberdade está diretamente ligada à noção de igualdade, por isso não consideram que altos impostos e ações afirmativas através de cotas não diminuem a liberdade, mas sim aumentam essa liberdade por permitirem a indivíduos, através do auxílio estatal, atingir certos patamares na sociedade que através de seu próprio esforço seriam incapazes. Essas políticas são ostensivamente anti-tradicionais no sentido que encontram exatamente no tradicionalismo o principal combustível de suas críticas constantes, visto por estes como um empecilho à sociedade perfeita que pretendem criar.
Frequentemente a esquerda dirá que defende a pluralidade, no entanto seu discurso é único, pregando o relativismo de valores, onde qualquer afirmação positiva é taxada como preconceituosa e deve ser reprimida. Isso gera o estranho fenômeno onde os defensores da diversidade reagem em uníssono aos mesmos estímulos e repetem sempre as mesmas idéias no mundo inteiro onde se encontram.
A direita liberal equaliza liberdade à liberdade econômica. Utilizando argumentos econômicos são a favor da abertura das fronteiras, da destruição da idéia de nação ou qualquer outra forma de identidade grupal e da redução do Estado ao mínimo possível, transformando o mesmo em mera força policial que irá garantir o direito à propriedade privada e o livre comércio.
Frequentemente os liberais de direita se encontram em grupos semelhantes aos conservadores, pois existem em pequena quantidade, como estes, aos quais se aliam por uma questão numérica, e também por não serem contra a organização tradicional dos povos, desde que esta não afete o bom fluxo das relações comerciais, tanto que conservadorismo e capitalismo são frequentemente associados. No entanto suas políticas a médio prazo iriam destruir qualquer tradição, uma vez que a consequência lógica de seu raciocínio seria transformar o mundo inteiro em um grande mercado.
As preocupações de um conservador são mais de ordem moral e estética, ou com a arte do bem viver em uma sociedade estável que dá um propósito à vida de seus habitantes do que problemas econômicos. Uma sociedade baseada na economia sem dúvida traz prosperidade, o que irá melhorar as condições de vida de seus cidadãos, mas não deve ser o propósito final da existência humana. Tampouco isso deve ser pretexto para políticas socialistas, que corrompem a população através do assistencialismo e substitui uma elite que produz por uma elite de burocratas que vivem do parasitismo “bem intencionado”.
A liberdade sem valores bem definidos, sem um propósito a ser alcançado na vida, sem ter qualquer objetivo existencial a não ser o trabalho e a obtenção de dinheiro, é uma palavra vazia. A liberdade é importante na medida que nos permite amar as pessoas próximas a nós, como nossa família, no entanto os defensores da idéia atua de liberdade tem criado leis que cada vez tem dificultado alcançarmos isso, com nossas crianças sendo entregues à educação estatal desde a mais tenra idade, as longas horas de trabalho que nos forçam a passarmos a maior parte de nossas vidas perto de pessoas que nada representam para nós, ou representam até coisas negativas, a família vista como mero contrato transitório e formal, além de nosso entretenimento realizado em grande medida de maneira solitária em nossos computadores e outros aparelhos eletrônicos.
A liberdade não é fugir de nossos valores tradicionais, mas sim justificá-la através dos mesmos, tendo no comportamento de nossos ancestrais a razão de ser da mesma. A sabedoria perene desses valores é registrada nos milênios em que sustentaram nossa civilização. Isso não deve se configurar em adoração fetichista ao passado, mas o progresso em sua acepção atual quase sempre é um sinônimo de desintegração social quando é não justificável pela tradição ou uma consequência lógica da mesma, se declarando, na realidade, ostensiva antítese desta.
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