terça-feira, 19 de novembro de 2013

A Revolta Conformista

A situação intelectual atual do Brasil, e não só do Brasil, mas de toda a Cultura Ocidental, é o que eu chamaria de “Revolta Conformista”. É uma cultura onde ser revoltado, “crítico”, “diferente”, se tornou um pensamento de massa, ou seja, não é mais uma revolta, mas uma servidão. A “crítica” nunca vai de encontro a si mesma, é simplesmente o ataque contra os mesmos grupos, a pregação das mesmas idéias e os brados repetitivos do rebanho de “intelectuais”.

Esses que se acreditam livres, diferentes e de mente aberta não poderiam ser mais iguais, mais crentes do próprio valor de suas idéias e mais conformados às crenças atuais. Não basta ser igual, é necessário provar aos seus iguais o quanto ele é ainda mais incisivo em sua revolta. É preciso denunciar o nosso passado, dizer o quanto nossos antepassados foram maus, o quanto tudo sempre esteve errado, reforçando o grupo e sendo reforçado pelo mesmo. Esses, que “pensam diferente”, ou seja, que acreditam em suas próprias cabeças que são uma minoria, tem a força necessária para calar os que discordam, fazer protestos em escalas gigantescas, fechar universidades, obrigar por lei a doutrinação de suas idéias nas escolas...

Essa é a grande Revolta Conformista, onde toda a nossa produção intelectual se resume na denúncia, na perseguição, na crítica e no protesto, ou seja, nada que advém de uma energia criativa, apenas destrutiva ou impositiva. Onde lutam contra um regime atual imaginário sem perceberem que o regime atual são eles mesmos. Há uma inversão muito grande na cabeça dessas pessoas se acreditam que podem bradar, agredir e ameaçar sendo uma “minoria pensante”, ao passo que as idéias que dizem pertencer a uma maioria hegemônica sequer existem ou são sussurradas com medo, pois essa maioria hegemônica, na verdade, é somente o pretexto sem o qual finalmente eles teriam que encarar o fato de que sua existência não tem razão de ser.

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